terça-feira, 24 de novembro de 2009

Iroko/Oko/Oraniam



Orixas muitas vezes esquecidos em nossa religião
 
ORIXÀ IRÓKÒ
ele reside na gameleira branca. É assentado no seu pé, após prepero ritual da raiz, e o tronco é enfeitado com um ÒJÁ FUNFUN ( OJÁ BRANCO )branco. A relação com esta árvore é comum a várias divindades e exprime sua relação com seus antepassados. Como ÈSÚ , ÌRÓKÒ carrega para longe os fluídos maléficos. Quando manifesta-se os fiéis jogam sôbre êle os fluídos que querem se livrar e êle corre para fora do barracão para atirar no mato todo o mau. As vezes bebe tanto que cai no chão. Cobre-se então com um ALÀ branco e , pouco depois, já recuperado êle ergue-se e volta a dançar. Dança de joelhos no chão e o BRAVUN, ritmo GEGE, como OSÙMÀRÈ. Veste cores fortes, vermelho, azul e verde, às vezes cinza ou marrom e branco e leva uma lança na mão. Suas contas são verde musgo e riscadas de marrom. As vezes veste-se de palha como OMOLÚ. Sua incorporação é pouco vista , seus filhos giram tontos, cambaleando pelo barracão antes de caírem fulminados, logo levantam-se e pôem-se a dançar.
Seu assentamento é feito numa gamela oval, pega-se um pedaço do tronco da gameleira branca e faz-se uma pequena estátua de um negro africano com um IDÈ branco no nariz, na cabeça um colar de búzios e moedas. Na gamela pôe-se uma corrente em volta , 6moedas e no meio da gamela uma seta e a estátua.
QUALIDADES
- GIROKOSSI
- LOKOSSI
SUAS FOLHAS
- Milame, colonia, saião, iriri, mãe boa, barba de velho, esrva prata, crista de galo, nóz moscada, abilzeiro, jaqueira e cajueiro. Quando se faz o Òrìsá, pôe-se uma folha de saco-saco embaixo do pé do IYAÓ uma folha de saco-saco e na boca uma folha de assa-peixe.
SEUS BICHOS :
- Um cabrito de chifre virado;
- Quatro frangos de esporão grande;
- Um galo d'angola;
- Um pombo branco.
Após matar os bichos, tira-se a língua de todos êles e as esporas do galo.
ORISÀ OKÓ
 
 
Divindade da agricultura , ligado a colheita dos inhames novos e a fertilidade da terra . Òrìsá NAGO , pouco conhecido no Brasil . Na época em que os escravos aqui chegaram , não deram muita importância a este Òrìsá , considerando como Òrìsá da agricultura , em seu lugar , ÒGÚN , e dos grãos a OBALÚWÀIYÉ .
Quando manifesta-se leva um cajado de madeira que revela sua relação com as árvores , traz uma flauta de osso que lembra sua relação com a sexualidade e a fertilidade , é confundido com ÒÒSÀÀLÀ , pois veste-se de branco. Seu ÒPÁSÓRÒ, no Brasil, é confeccionado em madeira . Sendo um Òrìsá raro , tem poucas qualidades conhecidas . É um Òrìsá rico .
QUALIDADES
- ETEKÒ
Caminha com OSOGUIAN , é inquieto . Vive nas matas e come todo tipo de comida branca.
- LEJUGBÉ
É muito confundido com ÒÒSÀÀLÀ por ser muito vagaroso e indeciso . Muito chegado a AYRÀ . Come com YEMONJA e OSÀLÚFÓN . Come , também , todo tipo de comidas branca .
 
ORANIAN


Oni, rei de Ifé, no dia da festa Olójó
(Do livro "Orixás - Pierre Fatumbi Verger - Editora Corrupio")
"Orànmíyàn (Oranian) foi o filho mais novo de Odùduà e tornou-se o mais poderoso de todos eles; aquele cuja fama era a maior em toda a nação iorubá. Tornou-se famoso como caçador desde a juventude e, em seguida, pelas grandes, numerosas e proveitosas conquistas que realizou ." Foi o fundador do reino de Oyó. Uma de suas mulheres, Torosí (Torosi), filha de Elémpe, o rei da nação Tapá (ou Nupê), foi a mãe de Xangô, que, mais tarde, subiu ao trono de Oyó...
Oranian foi concebido em condições muito singulares, que sem dúvida, espantariam os geneticistas modernos. Uma lenda relata como Ogum, durante uma de suas expedições guerreiras, conquistou a cidade de Ogotún, saqueou-a e trouxe um espólio importante. Uma prisioneira de rara beleza chamada Lakanjê agradou-lhe tanto que ele não respeitou sua virtude. Mais tarde, quando Odùduà, pai de Ogum, a viu, ficou perturbado, desejou-a por sua vez e fez dela uma de suas mulheres. Ogum, amedrontado, não ousou revelar a seu pai o que se passara entre ele e a bela prisioneira. Nove meses mais tarde, Oranian nascia. O seu corpo era verticalmente dividido em duas cores. Era preto de um lado, pois Ogum tinha a pele escura, e pardo do outro, como Odùduà, que tinha a pele muito clara..
Essa característica de Oranian é representada todos os anos em Ifé, por ocasião da festa de Olojó, quando o corpo dos servidores do Oòni é pintado de preto e branco. Eles acompanham Óòni de seu palácio até Òkè Mògún, a colina onde se ergue um monolito consagrado a Ogum. Essa grande pedra é cercada de màrìwò òpè, franjas de palmeiras desfiadas, e, nesse dia, os sacrifícios de cão e galo são aí pendurados. Óòni chega vestido suntuosamente, tendo na cabeça a coroa de Odùduà. É uma das raras ocasiões, talvez mesmo a única do ano, em que ele a usa publicamente, fora do palácio. Chegando diante da pedra de Ogum, ele cruza por um instante sua espada com Osògún, chefe do culto de Ogum em Ifé, em sinal de aliança, apesar do desprazer experimentado por Odùduà quando descobriu que não era o único pai de Oranian..
Opa Oranian, o grande monolito existente em Ifé

Festa da Boa Morte

Identidade, Sincretismo e Música na religiosidade brasileira

Francisca Marques
Laboratório de Etnomusicologia (UFRJ)
Universidade Federal do Rio de Janeiro (Brasil)
mosaico9@hotmail.com

Resumo

A Irmandade da Boa Morte é uma confraria católica de mulheres negras e mestiças que descendem e representam a ancestralidade dos povos africanos escravizados, e libertos, no Recôncavo da Bahia.

A atuação das primeiras Irmãs da Boa Morte teve significado político, social e, significativamente, religioso. Segundo Pierre Verger (1992), foi como organização advinda das mulheres adeptas à confraria de Nossa Senhora da Boa Morte que teria sido fundado no início do século XIX o primeiro Candomblé keto de Salvador. A partir de 1820, a Irmandade teria se expandido para a cidade de Cachoeira, local onde ainda hoje preserva seus rituais públicos e secretos.

"Foi uma promessa que os escravos fez na luta, no sofrimento, que eles alcançassem a liberdade que a morte seria desaparecida, porque a morte é o sofrimento e a vida é glória. E a glória é para sempre." (D. Estelita, Juíza Perpétua da Boa Morte em depoimento à pesquisadora; janeiro 2000).


A pesquisadora em trabalho acústico durante a Procissão da Glória, agosto de 2000
(Foto: Tatsuhiro Yazawa)

A polêmica sobre o valor e o significado do sincretismo normalmente se apóia na idéia dominadora de uma religião sobre a outra, como é o caso do cristianismo europeu sobre negro africano, cultural e espiritualmente.

O Candomblé, como religião de ascendência africana, tem predominantemente características particulares de culto e reverência aos ancestrais negros (Orixás), mas nele existem também atribuições indígenas (Caboclos), assim como traz referências cristãs, importantes, senão fundamentais, para o entendimento do universo mítico das religiões brasileiras.

Existe que é justamente essa coisa do sincretismo. Aqui é uma entidade religiosa católica, mas obedecendo ao sincretismo religioso baiano essas santas mulheres nos terreiros de macumba elas adotam e aceitam outro nome que é o de Nanã, de Yemanjá, etc. É realmente uma ligação do sincretismo religioso baiano que já adotado pela Igreja Católica já há alguns anos, e isso as pessoas aqui aceitam na maior naturalidade.[1] (Valmir Pereira dos Santos, jan. 2000, em depoimento à pesquisadora)

Nessa síntese integradora, o papel das festas populares, como a de Nossa Senhora da Boa Morte, parece manter e organizar a mistura de diferentes identidades e crenças que refletem de modo geral imagens arquetípicas (Jung:1985) expressas, também, no sincretismo da religiosidade popular.

Essa religiosidade, além de ser uma motivação à atividade religiosa e à devoção, nos parece um ajustamento entre as ações do ser humano à uma ordem cósmica imaginada e projetada no plano da experiência humana (Geertz 1978: 104).

Os rituais da Boa Morte tem traços da religião materna peculiarmente enfatizados pela cultura matriarcal do povo de santo. Nossa Senhora tem a face da Morte (é Nanã) e a face da Glória (é Oxum, e para alguns, Yemanjá também)[2].


Oxum (ou Yemanjá) Ilustração: Caribé

Ruy Póvoas (1999) percebe claramente a Grande Mãe na representação dessas Iabás:

"(...) todo mundo veio da Grande Mãe, passa a vida inteira à sua busca e termina, com a morte, voltando para ela. Ela nos inventa, reinventa, gesta, cria, solta no mundo, vive nas profundezas da nossa essência e depois encolhe os cordéis e nos leva de volta para o seu interior que é a origem de nossas origens". (Póvoas 1999:232)


Maria em representação materna[3]

No nosso entender, esse arquétipo se aplica ao Feminino da psique humana, e assim sendo, é presente mesmo em tradições predominantemente masculinas, como é o caso do cristianismo. Através de Nossa Senhora, e das suas muitas faces, percebemos também o arquétipo da Grande Mãe como protetora, defensora, sustentadora e mantenedora da natureza e da humanidade.

"(...) a divindade vem sempre representada pela cultura sob o simbolismo paterno e materno. Este simbolismo está a serviço de dois tipos religiosos fundamentais: um ctônico (telúrico), orientado para a terra, a vida, a geração, os mistérios da morte: é a religião maternal. O outro é mais urânico (celestial), orientado para o céu, a infinitude, a transcendência: é a religião paternal (...)

Apesar desta predominância, encontra-se na Escritura, como já vimos, traços da religião telúrica e materna. Deus é vivenciado também como a Mãe que consola (Is 66,13), que ergue a criança até junto do seu rosto (Is 49,15); Sl 25,6; 115,11) e possui um seio aconchegador (Jo 1,18)." (Boff 2000:97)

Essas imagens da realidade humana, e do mundo, importa frisar, não pertencem unilateral e separadamente a um determinado, e privilegiado, grupo étnico, mas certamente particularizam e evidenciam aspectos de semelhanças e diferenças na identidade dos povos que coletivamente formam a cultura brasileira.

O caráter mítico que envolve os rituais da Irmandade da Boa Morte são singularmente expressos nas rezas, cânticos, danças, gestos, culinária, indumentárias, e obviamente na relação que essas mulheres tem com a morte, a vida e o divertimento (samba de roda).

A Boa Morte não é pra morrer... é uma coisa de força, de poder, de coragem, entendeu?! Nossa Senhora da Boa Morte é uma mãe. É misericordiosa. Ela é poderosa. Ela acode suas filhas na hora da sua necessidade. Que a gente nasceu pra morrer... todo mundo sabe. Mas ali é pra viver. Só vai na hora certa. (Anália da Paz Santos Leite, Irmã da Boa Morte, nov. 2001, em depoimento à pesquisadora.)

Para Ferretti (1999:114), e concordamos com ele, o sincretismo pode ser visto como característica do fenômeno religioso. "Isto não implica desmerecer nenhuma religião, mas em constatar que, como os demais elementos de uma cultura, a religião constitui uma síntese integradora englobando conteúdos de diversas origens. Tal fato não diminui mas engrandece o domínio da religião, como ponto de encontro e de convergência entre tradições distintas".

Na igreja Santo Antonio é Ogum, mas é Santo Antonio. Aqui Nossa Senhora da Boa Morte, ela tem um símbolo dela. Mas são coisas que a gente não tem condição de revelar assim. Só na hora dos cânticos ali. Tem São Jorge, que no candomblé é Oxossi. Tem Senhor do Bonfim que é Oxalá, tem Nossa Senhora das Candeias que é Yemanjá. Cada um tem sua maneira de ser, né. (Anália da Paz Santos Leite, Irmã da Boa Morte, jan. 2000, em depoimento à pesquisadora)

Essa representação de identidades coletivas, ou símbolos de religiosidade, revelam através da música valores que podem ser aplicáveis em princípio e em potência a qualquer tipo de produção humana (Martí y Pérez: 1996).

Pablo Vila (1996), que fala da narrativa como algo "confundido" com a forma tradicionalmente literária, destaca que "a música popular é um tipo particular de artefato cultural que provê a pessoas diferentes elementos que eles utilizam na construção de suas identidades sociais".

Ainda reforçando as idéias de Vila (1996), na arte e na religiosidade das festas populares, são construídas identidades sociais que articulam os sentidos e os atores sociais para a dimensão temporal relacionando, através de uma mesma narrativa, o passado, o presente e o futuro.

A Festa da Boa Morte acontece como realmente acontece há 226 anos. Essa é a única Irmandade acredito eu no Brasil e no mundo que obedece a esses critérios religiosos, porque elas aqui dão um complemento realmente a passagem de Maria, a assunção e morte, e também a assunção com vida. Então é a única Irmandade que faz toda a celebração desde o início, até chegar o dia da assunção. É o dia do sentimento, o dia do velório, a dedicação as almas, depois tem a assunção, depois da assunção tem a dedicação pra vida, onde tem muito samba, muita comida e muito axé para todos os que estiverem presentes. (Valmir Pereira dos Santos, jan. 2000, em depoimento à pesquisadora)

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As Escrituras nada dizem sobre os últimos anos de Maria. Acredita-se que tenha tido morte natural, aos 70 anos, e é provável que isso tenha ocorrido por volta de 48 ou 49dC. Referências sobre o assunto são encontradas apenas em Evangelhos Apócrifos sobretudo no livro de São João Evangelista datado por Tischendorf (1866) como escrito no século IV. Este evangelho teria tido grande difusão entre os bizantinos (Zilles 2001:221).

De acordo com esse apócrifo, Maria, numa sexta-feira, orando no sepulcro, teria recebido a visita do Arcanjo Gabriel para anunciar que era chegado o momento de sua morte. Ao saber da notícia Ela pede à Cristo que lhe envie os apóstolos para que lhe assistam no momento de sua passagem. As suas orações são atendidas por intercessão do Espírito Santo:

E no momento de sua imaculada alma sair, o lugar foi inundado de perfume e de uma luz inefável. E eis que se ouviu uma voz do céu que dizia: "Bendita és tu entre as mulheres!" Então Pedro, e também eu, João, Paulo e Tomé, abraçamos com toda pressa os seus santos pés para que fossemos santificados. E os doze apóstolos, depois de colocar seu santo corpo no ataúde, levaram-no. (Zilles 2001:237).

A morte de Maria está relacionada ao modelo da morte e ressurreição de Jesus Cristo. No entanto, o momento da passagem de ambos traz interpretações diferentes à ars moriendi. Cristo teve uma morte heróica, depois da via crucis, do martírio, com dor e sofrimento. A sua morte para os cristãos é considerada instrumento de libertação e salvação. Maria teve uma morte gloriosa, ou seja, Ela compartilhou do sofrimento e da morte por toda a sua vida mas não sofreu ao morrer, e assim sendo, diz-se que ela, como o Cristo, venceu a morte. Para os teólogos a finalização da vida terrestre de Maria é descrita "como morte provocada por um "êxtase", um "trânsito" ao céu, uma espécie de "adormecimento" (Strada 1998:117). Boff (2000:178-185) entende que a morte foi um bem perfeitamente assimilado por Nossa Senhora. Para ele, com a morte irrompe a vida liberta como força latente da mortalidade. Através da morte o ser humano vai de encontro à possibilidade de entrega a algo maior que o transcende [Deus] e o realiza sumamente.

Na catequese de João Paulo II (1997) o papa considera que "se Cristo morreu, seria difícil afirmar o contrário no que concerne à Mãe (...)"; que "os apóstolos se reuniram para enterrar seu corpo"; e que "Cristo a ressussitou do sepulcro".

Segundo Strada (1998:116) a festa do "adormecimento" começa a ser celebrada em Jerusalém no século VI. Já no século VII se estendia a toda a Igreja bizantina, sob o nome de kóimesis tés theotokv, que quer dizer "Dormição da Mãe de Deus" (Passos 1992:70). Seria no século VIII que o termo apareceria no sacramentário do papa Adriano com o nome de Assumptio, Assunção, quando então foi extendido a todo o ocidente.

Embora o imperador Maurício (599-602) tenha fixado a data de 15 de agosto para celebrar a festa da Assunção de Maria, os textos apócrifos, e uma posterior resolução da Igreja Católica, que se mantém ainda hoje, mantém o domingo fixo à essa comemoração:

"Já sabeis que em domingo realizou-se a anunciação do Arcanjo Gabriel à Virgem Maria, e que em domingo nasceu o Salvador em Belém, e que em domingo os filhos de Jerusalém saíram com ramos ao seu encontro, dizendo: "Hosana nas alturas! Bendito aquele que vem em nome do Senhor", e que em domingo ressuscitou dentre os mortos, e que em domingo, finalmente, baixará dos céus para honrar e glorificar, com sua presença, a partida da santa e gloriosa virgem que lhe deu à luz" (Apud Zilles 2001:234)

A propósito da introdução do culto à Boa Morte pelos jesuítas portugueses no Brasil e a difusão de irmandades leigas na segunda metade dos setecentos em Minas Gerais, Campos (1995) atribui à mentalidade barroca uma profunda angústia diante da morte e um extremo apego e desgosto pela efemeridade da existência terrena que levaria à ânsia de salvação eterna. Ao mesmo tempo que tinham "horror declarado à decomposição do corpo, ainda que a cultura oficial insistisse na imortalidade da alma, os cristãos tinham incertezas em relação à sentença que lhes seria proferida no Juízo particular, concomitantemente à morte". Considerando as análises do teólogo Michael Schmaus a pesquisadora salienta:

É a angústia condizente com a separação da família, dos amigos e das formas humanas de existência e, nesse sentido, a morte é solidão para os que ficam e para os que partem. Com ela são definitivamente encerradas as possibilidades de vida pessoal e social, concluindo-se absolutamente o destino humano.

Se, como afirma Bacelar (1989:33), a construção de uma identidade étnica é um jogo de permutas, manipulações e estratégias de diferenças e semelhanças diante de uma etnia dominante, podemos pensar que o negro da Bahia colonial além de oferecer resistência, fazia, também, contestação, e porque não dizer denúncia da realidade da escravidão, do sofrimento e da morte, através das irmandades leigas. A própria nomenclatura atribuída às irmandades, se observarmos atentamente, representa a situação e as necessidades do negro escravo, através da apropriação da mítica cristã (Nosso Senhor Bom Jesus da Paciência, Nosso Senhor Bom Jesus dos Martírios dos Jeje, Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e Nossa Senhora da Boa Morte são alguns exemplos).

Se se define a morte na vida que se extingue, contudo, em todos os tempos, se definiu também a crença que não se extingue com ela o princípio de vida que nela se manifestou. A imortalidade da alma e a transição de um mundo material para outro espiritual, assim como a ressurreição, é uma característica bastante comum aos mais diferentes povos e religiões, inclusive, africanos.

(...) para o Nagô, a morte não significa absolutamente a extinção total, ou aniquilamento (...) Morrer é uma mudança de estado, de plano de existência e de status. Faz parte da dinâmica do sistema que inclui, evidentemente a dinâmica social. (Elbein dos Santos 1996: 221)

(...) O ser que completou com sucesso a totalidade de seu destino está maduro para a morte. Quando passa do aiye [mundo] para o orun [além/espaço sobrenatural], tendo sido celebrados os rituais pertinentes [axexê], transforma-se automaticamente em ancestre (...) e poderá inclusive ser invocado como Egum. Além dos descendentes gerados por ele durante a sua vida no aiyé, poderá por sua vez participar na formação de novos seres, nos quais se encarnará como elemento coletivo. (Elbein dos Santos 1996:222)

No seu precioso livro Os Nagô e a Morte, Juana Elbein dos Santos (1996: 54) afirma que na mitologia ioruba o aiyé e o orun não foram sempre separados. Ou seja, "a existência não se desdobrava em dois níveis (...)". Tanto os Orixás habitavam o aiyé quanto os seres humanos iam ao orun e voltavam. "Foi depois da violação de uma interdição que o orun se separou do aiyé e que a existência se desdobrou. Os seres humanos não tem mais a possibilidade de ir ao orun e voltar de lá vivos".

Na literatura, vários são os mitos africanos que falam da "transformação da morte - enquanto circunstância individual - e sua transmutação em espírito ancestral coletivizado", ou Egum. Para Braga (1995:100) a dimensão espiritual do culto aos antepassados é a experiência mais dramática da religiosidade afro-brasileira. Segundo ele, os Eguns são reverenciados e invocados no interior de rígidas estruturas religiosas, mas não menciona que isso possa ocorrer fora dos chamados terreiros de Egum.

Para os nagô, existe uma distinção entre Orixá e Egum. Os pais e antepassados de um grupo familiar, ou linhagem, são Eguns porque tem pertencimento a uma estrutura social determinada seja em clãs ou dinastias. Os Orixás pertencem a uma ordem cósmica e universal, são os criadores simbólicos e espirituais dos seres humanos (Elbein dos Santos 1996:104-105).

A festa da Boa Morte é uma festa de Egum. É Nascimento (2002), em seu importante trabalho quem melhor sintetiza, até o momento, a presença do candomblé na Irmandade da Boa Morte:

(...) em cada rito predomina determinados Orixás, de modo que, na medida em que o drama se desenrola, esses Orixás vão saindo de cena. No primeiro rito, por exemplo, predomina a figura de Oiá-Iansã, que cuida dos Éguns; no segundo rito, Nanã, Ogum e Obaluaiyê, sendo possível ainda a presença de Oiá-Iansã; no terceiro rito, Oxum, Nanã, Iemanjá (e Oxalá como elemento de equilíbrio) (...). Notamos que Nanã participa dos dois mais importantes ritos. Isto porque, como vimos, ela atua nos dois domínios da existência, como Exu. (Nascimento 2002: 128)

Nanã é considerada uma divindade associada aos primórdios da criação, cujo símbolo, em forma de útero, o ibiri, é um cetro de fibras atadas com tiras ornadas de búzios. A sua personificação é de uma velha cujos domínios e mistérios são revelados em cantigas, saudações, e nos mitos de seu culto estritamente ligado à água, à lama e à morte:

[Nanã] (...) ela é relacionada com o nascimento porque ela dá a luz a três entidades relacionadas com a morte [Obaluaê, Oxumarê e Iroco]. E ao mesmo tempo é relacionada com a morte porque ela, por ser da lama, é ela quem, depois da destruição do corpo... o homem vem da lama e da lama voltará... não tem algo assim... Ela é que faz a destruição do corpo, a putrefação é exatamente o domínio de Nanã. Mas ao mesmo tempo a putrefação é que fertiliza, é que aduba para que nascam outras vidas. Então ela também é relacionada à morte nesse sentido. A lama tem sentido da destruição do corpo, da transformação do corpo em adubo, criando uma outra vida. Então o princípio da Irmandade da Boa Morte é essa figura de Nanã, porque no mito da criação ela tem essas duas funções de vida e de morte. E Obaluaê, ele é o filho direto, o filho mais preferido dela, é quem cuida da destruição do corpo. Ogum é quem mata. É Ogum quem mata. Para o mito africano, pra crença na religiosidade do Orixá, do Candomblé, ninguém morre porque Deus determinou aquele dia pra ele. Ele morre porque Ogum matou. A pessoa quando acaba de morrer foi ali matada por Ogum. Ele é quem cuida disso. Yansã, ela é relacionada com os Egum. É ela quem toma conta dos Egum. O Egum é o espírito que sobra da minha vida, enquanto eu estiver nesse corpo eu sou um espírito, uma pessoa. Mas quando eu morro, o meu corpo vai ser matado por Ogum, vai ser destruído por Obaluaê e vai sobrar o meu Egum que vai ser cuidado por Yansã. (Luiz Claudio Nascimento, jan. 2000, em depoimento à pesquisadora)

Nas cerimônias públicas da Irmandade da Boa Morte ficam definidos os cumprimentos às responsabilidades católicas, embora, no mesmo contexto, se estabeleça nitidamente a presença do candomblé inerente à simbologia gestual e dos trajes em todo processo ritual de forma minuciosamente elaborada, em especial, durante os cortejos fúnebre e glorioso.


A saída do corpo de Nossa Senhora morta, agosto 2000
(Foto: Tatsuhiro Yazawa)

Segundo informações que recebemos, em cerimônia privativa das Irmãs, é rezado o Ofício de Nossa Senhora e incensada a pequena casa ao lado da Capela de Nossa Senhora da Ajuda, local onde é arrumada e velada a Santa. Só depois é feita a saída do corpo de Nossa Senhora morta. Ela é carregada inicialmente pelas Irmãs que compõem a Comissão da Festa no ano, embora sejam auxiliadas e haja revesamento durante todo o cortejo no translado do corpo por outras Irmãs. Elas todas vestem branco, tem contas e brincos brancos, ou prateados, usam torço muçulmano também branco e carregam tochas com velas acesas. O traje branco é sinal de luto para o povo de santo. A missa de corpo presente é feita em memória das Irmãs falecidas, e diz-se que se trata de uma "missa de Egum". Posteriormente, é realizado o velório de Nossa Senhora.

Na seqüência a Irmandade oferece uma Ceia Branca (peixes, pães, alface, arroz branco e vinho) à comunidade. Na ocasião, sexta-feira, dia dedicado a Oxalá, interditam o acesso a dendê e carne. A Ceia Branca é relacionada também aos Orixás Nanã e Yemanjá. Há quem diga que é especialmente preparada para as Irmãs Falecidas, e portanto, é alimento para Egum, e só pode ser comida no interior da Sede da Boa Morte. Segundo uma Irmã, em uma das festas, anos atrás, alguém teria tentado levar comida embora da Sede e teria levado um murro [de um Egum] e derrubado tudo no chão. Isso foi um sinal de que a pessoa não deveria ter saído do espaço da Sede para comer.

Nossa festa é celebrar a missa para as Irmãs falecidas para daí então comemorar o movimento da festa. Sem fazer a missa delas, faz de conta que é uma oferenda, é uma festa pra elas, nós não podemos fazer. De forma que essa missa que nós fazemos pra eles, a noite dela é pão, peixe e vinho. Faz de conta que é a festa delas que nós estamos celebrando. E aí é que vai ter o enterro da morte. (...) Nós estamos confiadas em Maria e nossa luta, tudo o que nós pedimos e lutamos nós vencemos com a graça dela mesmo. E a gente ficamos orgulhosas com o valor, com o amor e com o mistério de Maria. Estamos aqui Mãe, até o dia que Deus e Vós quiser. (D. Estelita, Juíza Perpétua da Boa Morte em depoimento à pesquisadora, agosto 2000)

No sábado, na missa e na procissão do enterro, as Irmãs usam seus trajes de gala, as chamadas becas. A cabeça é coberta por um lenço branco denominado bioco. Sobre a camisa branca trazem um pano da costa de veludo preto; na cintura tem um lenço branco sobre a saia preta plissada e calçam chagrins brancos.

Os trajes das mulheres negras provavelmente escapavam ao entendimento senhorial por constituirem uma linguagem visual própria aplicada a motivos rituais ou profanos de caráter eminentemente africano.


Negra do Partido Alto
Acervo: Dimitri Ganzelevich

A narrativa pictórica de ilustrações do século XIX (Julião, Rugendas e Debret), ao mesmo tempo que apresentam um padrão no vestuário dessas mulheres, como é o caso da utilização dos turbantes, dos lenços amarrados à cintura e o pano da costa, registra também sinais diferenciadores da condição das negras escravas e libertas (Lara:1997). A utilização das chinelas (chagrins), observadas nas Irmãs da Boa Morte (e nas baianas do Samba de Roda Suerdieck também) é um traço significativo condição de liberta na Bahia colonial. As mulheres da Boa Morte eram chamadas de 'negras do partido alto'. O termo tem conotação sócio-econômica privilegiada e dava posição de destaque às fundadoras da Irmandade (Nascimento 2002:126; Tavares s/d: 107).

As festividades de Nossa Senhora da Glória tem um contraste impressionante se comparadas à performance ritual, comportamental e indumentária utilizadas nos dois dias dedicados à Senhora da Morte. A missa e o cortejo antes noturnos, agora passam a ser matutinos; o trajeto da procissão é também diferenciado dos dias anteriores. A Capela de Nossa Senhora passa a ser toda decorada de flores coloridas e vê-se Nossa Senhora antes deitada (morta) em pé.


A Juíza Perpétua em representação de Nossa Senhora
Festa da Glória, agosto 2000
(Foto: Tatsuhiro Yazawa)

As Irmãs utilizam a beca com o lenço branco na cabeça, muitos colares, guias, balagandãs, pulseiras e anéis prateados e dourados. O ouro representa a riqueza e a beleza, o vermelho do pano da costa, antes preto, um sinal do sangue (menstrual também), na vida (viva) em Oxum/Yemanjá. Nesse dia o número de pessoas presentes cresce e é bem maior que nos outros anteriores.

Com suas missas e procissões, os ritos públicos da Irmandade da Boa Morte ecoam aspectos da religiosidade brasileira do século XIX. Os cantos fazem parte do cancioneiro católico popular, sendo que boa parte do público, tanto na missa quanto nas procissões, os conhece e acompanha cantando. O repertório rememoriza o dogma da morte e assunção de Nossa Senhora nas letras que podem falar da devoção à Mãe (Guardiã) da Irmandade, ou mesmo pedir guarnição.

Parte também importante da religiosidade, os cantos, rezas e litanias são modalidades narrativas onde o emprego da palavra pronunciada, e cantada, tem força de expressão e manifestação como ato religioso. Na Boa Morte, elas podem estar contidas também nas saudações entre as Irmãs, em preces coletivas, como a Ave-Maria, ou mesmo na entoação de rezas e cantos específicos contextualizados em cerimônias da Casa.


(Transcrição: Luciana Requião)

Ó Maria, ó Mãe minha
Salvadora dos mortais
Me guiai e amparai
Para as pátrias celestiais
Aos vossos pés estamos nós
Hoje entoando em altas voz
Ó Maria, ó Mãe de Deus
Rogai, rogai, rogai por nós
Rogai, rogai, rogai por nós
Contra mim do inferno
Embora surge o ferro tentador
Doce virgem nessa hora
Socorrei-me com a dor
Aos vossos pés estamos nós
Hoje entoando em altas voz
Ó Maria, ó Mãe de Deus
Rogai, rogai, rogai por nós
Rogai, rogai, rogai por nós

Juíza Perpétua: Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo

Irmãs : Para sempre seja louvado e Nossa Mãe Maria Santíssima

Juíza Perpétua: Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo

Irmãs : Para sempre seja louvado e Nossa Mãe Maria Santíssima

Juíza Perpétua: Que a Mãe de Deus abençõe a todos aqui presente e dê benefício de todas as alma dessa Irmandade que esteja presente e que esteja ausente. Que Deus dê força e luz para elas sempre transmitindo aí no espaço.

Irmãs: Que assim seja! (palmas...)

No trabalho acústico acima observamos na alternância da palavra cantada para a palavra pronunciada que o discurso da Juíza Perpétua e das Irmãs apresenta acréscimos à estrutura do responsório católico Louvado Seja ("e Nossa Mãe Maria Santíssima"), como também sugere influências do espiritismo kardecista através de sentenças como "transmitindo aí no espaço" e evidentemente na substituição do "Amém" pelo "Que assim seja!".

O espiritismo é significativo em Cachoeira como opção religiosa de negros e ao que parece foi introduzido contemporaneamente à difusão da doutrina, codificada por Hippolyte Léon Denizard Rivail, Allan Kardec, na França com a edição do Livro dos Espíritos em 1857. Embora existam ainda hoje centros que seguem institucionalizados a doutrina de Kardec em Cachoeira, sabemos que ocorrem mais reservadamente reuniões em casas particulares para sessões espíritas, inclusive coordenadas por Irmãs da Boa Morte.

Conclusão

As origens da Irmandade no contexto histórico colonial e a relação mítica afro-cristã, no nosso entender, servem de suporte ao entendimento da identidade, do sincretismo e da musicalidade predominantes em todo contexto ritual da festa da Boa Morte e Glória. A reflexão que apresentamos é parte de um trabalho etnomusicológico bem mais amplo já desenvolvido. Nosso objetivo, nesse momento, é registrar, apenas, a importância da Irmandade da Boa Morte para o entendimento da religiosidade brasileira.

FOLHAS SAGRADAS

Folhas Sagradas

(Sacred Leaves)

Ogbó

Jojòfà

Awùrépépé

Ewe Òwú

Étinpónlá

Gbegi

Jokónijé

Iroko

Wérénjéjé

Teté

Ewé Lará


Afére

Peregun

Agbaó

Ewé Iná

Oriri

Histórias de Oyá

Histórias de Oyá (1)

Mãe Stella de Oxóssi (2)

Eparrei é a saudação para
o Orixá Iansã ( Oya ).
(1) Oya em yorubá quer dizer rápido.


Iansã é um orixá caracterizada pela rapidez nos seus atos e pensamentos. Foi Iansã que instituiu o ritual axexe ou ajeje, que vem a ser vigília.
O axexe é um ritual, em que durante 7 dias se homenageia a pessoa falecida com cânticos, danças e alimentos.
Para quem entende algumas das tradições há de ver que é um ritual muito forte e completo, quando são ditas palavras que nos levam à realidade que a morte é apenas uma mudança de estágio e que o ser não se acaba. Passa de ser humano para ancestral, quando será sempre presente em nosso pensamento.

Perante a morte ( Icú ) todos são iguais. Ela não descrimina.
Daí diz a cantiga: Morte eu lhe saúdo. A morte tanto leva o velho como a criança.
Esse é o maior exemplo de que entre os seres humanos, todos têm os mesmos direitos, independente de etnia, classe social ou financeira.

Outro exemplo de direitos humanos, se encontra na lenda em que Iansã é a maior protagonista:

Quando Deus ( Olorum ) deu atributo a cada Orixá, deu a Osaim a responsabilidade de cuidar dos vegetais. Daí ele passou a ser o Orixá médico.
No entanto as folhas não servem só pra remédio. Daí quando cada Orixá precisava de alguma tinha que depender da vontade de Osaim. Iansã achando que todos tinham direito às folhas, embora a responsabilidade fosse de Osaim, tomou uma atitude : provocou um vendaval.
Quando todas as folhas se espalharam cada Orixá pegou as que lhes convinha. Por isso apesar de Osaim ser o responsável pelos vegetais, cada Orixá tem direito a alguns apropriados.
Tiramos daí a lição de que dividir é bem melhor e que os direitos são iguais dentro. Digo, direitos essenciais. Os demais são adquiridos com o potencial de cada um.

Yás

Yás

Ìyá Mi Osorongà
As Senhoras dos Pássaros da Noite
Quando se pronuncia o nome de Yiá Mi Oxorongá, quem estiver sentado deve-se levantar, quem estiver de pé fará uma reverência, pois se trata de temível Orixá, a quem se deve apreço e acatamento.
( Jorge Amado )
Origem e história
Iyá Mi Osorongá ( Ìyá Mi Osorongà ) é a síntese do poder feminino, claramente manifesto na possibilidade de gerar filhos e, numa noção mais ampla, de povoar o mundo. Quando os Yorubás dizem "nossas mães queridas" para se referirem às Iyá Mi, tentam, na verdade, apaziguar os poderes terríveis dessa entidade.
Donas de um axé tão poderoso quanto o de qualquer orixá, as Iyá Mi tiveram seu culto difundido por sociedades secretas de mulheres e são as grandes homenageadas do famoso festival Gèlèdè, na Nigéria, realizado entre os meses de março e maio, que antecedem o início das chuvas do país, remetendo imediatamente para um culto relacionado à fertilidade.
Poder procriador, tornaram-se conhecidas como as senhoras dos pássaros e sua fama de grandes feiticeiras as associou à escuridão da noite; por isso também são chamadas de Eleyé e as corujas são seus maiores símbolos.
A sua relação mais evidente é com o poder genital feminino, que é o aspecto que mais aproxima a mulher da natureza, ou seja, dos acontecimentos que fogem à explicação e ao controle humano. Toda mulher é poderosa porque guarda um pouco da essência das Iyá Mi; a capacidade de gerar filhos, expressa nos órgãos genitais femininos, sempre assustou os homens e as cantigas entoadas durante o festival Gèlèdè fazem alusão a esse terrível poder - que não pertence apenas às Iyá Mi, mas a qualquer mulher.
Mãe destruidora, hoje te glorifico:
O velho pássaro não se aqueceu no fogo.
O velho pássaro doente não se aqueceu ao sol.
Algo secreto foi escondido na casa da Mãe ...
Honras à minha Mãe!
Mãe cuja vagina atemoriza a todos.
Mãe cujos pêlos púbicos se enroscam em nós.
Mãe que arma uma cilada, arma uma cilada.
Mãe que tem potes de comida em casa.
As mães são compreendidas como a origem da humanidade e seu grande poder reside na decisão que tomar sobre a vida de seus filhos. É a mãe que decide se o filho deve ou não nascer e, quando ele nascer, ainda decide se ele deve viver. A mulher, especialmente nas sociedades antigas, tinha inúmeros recursos para interromper uma gravidez. E, até os primeiros anos de vida, uma criança depende totalmente de sua mãe; se faltarem seus cuidados a criança não vinga. Em síntese, todo ser humano deve a vida a uma mulher. Se todas as mulheres juntas decidisses não mais engravidar, a humanidade estaria fadada a desaparecer. Esse é o poder de Iyá Mi: mostrar que todas as mulheres juntas decidem sobre o destino dos homens.
Mãe todo-poderosa, mãe do pássaro da noite.
Grande mãe com quem não ousamos coabitar
Grande mãe cujo corpo não ousamos olhar
Mãe de belezas secretas
Mãe que esvazia a taça
Que fala grosso como homem,
Grande, muito grande, no topo da árvore Iroko,
Mãe que sobe alto e olha para a terra
Mãe que mata o marido mas dele tem pena.
Iyá Mi é a sacralização da figura materna, por isso seu culto é envolvido por tantos tabus. Seu grande poder se deve ao fato de guardar o segredo da criação. Tudo que é redondo remete ao ventre e, por conseqüência, as Iyá Mi. O poder das grandes mães é expresso entre os orixás por Oxum, Iemanjá e Nanã Buruku, mas o poder de Iyá Mi é manifesto em toda mulher, que, não por acaso, em quase todas as culturas, é considerada tabu.
As denominações de Iyá Mi expressam suas características terríveis e mais perigosas e por essa razão seus nomes nunca devem ser pronunciados; mas quando se disser um de seus nomes, todos devem fazer reverencias especiais para aplacar a ira das Grandes Mães e, principalmente, para afugentar a morte.
As feiticeiras mais temidas entre os Iorubás e nos candomblés do Brasil são as Àjé e, para referir-se à elas sem correr nenhum risco, diga apenas Eleyé, Dona do Pássaro. O aspecto mais aterrador das Iyá Mi e o seu principal nome , com o qual tornou-se conhecida nos terreiros, é Oxorongá, uma bruxa terrível que se transforma no pássaro de mesmo nome e rompe a escuridão da noite com seu grito assustador.
As Yiá Mi são as senhoras da vida, mas o corolário fundamental da vida é a morte. Quando devidamente cultuadas, manifestam-se apenas em seu aspecto benfazejo, são o grande ventre que povoa o mundo. Não podem, porém, ser esquecidas; nesse caso lançam todo tipo de maldição e tornam-se senhoras da morte.
O lado bom de Iyá Mi é expresso em divindades de grande fundamento, como Apaoká, a dona da jaqueira, a verdadeira mãe de Oxóssi Dizem que o deus caçador encontrou mel aos pés da jaqueira e em torno dessa árvore formou-se a cidade de Kêtu.
Os assentamentos de Iyá Mi ficam junto a grandes árvores como a jaqueira e geralmente são enterrados, mostrando a sua relação com os ancestrais, sendo também uma nítida representação do ventre. As Iyá Mi, juntamente com Exú e os ancestrais, são evocadas nos ritos de Ipadé, um complexo ritual que , entre outras coisas, ratifica a grande realidade do poder feminino na hierarquia do Candomblé, denotando que as grandes mães é que detém os segredos do culto, pois um dia, quando deixarem a vida, integrarão o corpo das Iyá Mi, que são, na verdade, as mulheres ancestrais.
As ruas, os caminhos, as encruzilhadas pertencem a Esu. Nesses lugares se invoca a sua presença, fazem-se sacrifícios, arreiam-se oferendas e se lhe fazem pedidos para o bem e para o mal, sobretudo nas horas mais perigosas que são ao meio dia e à meia-noite, principalmente essa hora, porque a noite é governada pelo perigosíssimo odu Oyeku Meji. À meia-noite ninguém deve estar na rua, principalmente em encruzilhada, mas se isso acontecer deve-se entrar em algum lugar e esperar passar os primeiros minutos. Também o vento (afefe) de que Oya ou Iansan é a dona, pode ser bom ou mau, através dele se enviam as coisas boas e ruins, sobretudo o vento ruim, que provoca a doença que o povo chama de "ar do vento". Ofurufu, o firmamento, o ar também desempenha o seu papél importante, sobretudo á noite, quando todo seu espaço pertence a Eleiye, que são as Ajé, transformadas em pássaros do mal, como Agbibgó, Elùlú, Atioro, Osoronga, dentre outros, nos quais se transforma a Ajé-mãe, mais conhecida por Iyami Osoronga. Trazidas ao mundo pelo odu Osa Meji, as Ajé, juntamente com o odu Oyeku Meji, formam o grande perigo da noite. Eleiye voa espalmada de um lado para o outro da cidade, emitindo um eco que rasga o silêncio da noite e enche de pavor os que a ouvem ou vêem. Todas as precauções são tomadas. Se não se sabe como aplacar sua fúria ou conduzí-la dentro do que se quer, a única coisa a se fazer é afugentá-la ou esconjurá-la, ao ouvir o seu eco, dizendo Oya obe l’ori (que a faca de Iansan corte seu pescoço), ou então Fo, fo, fo (voe, voe, voe). Em caso contrário, tem-se que agradá-la, porque sua fúria é fatal. Se é num momento em que se está voando, totalmente espalmada, ou após o seu eco aterrorizador, dizemos respeitosamente A fo fagun wo’lu ( [saúdo] a que voa espalmada dentro da cidade), ou se após gritar resolver pousar em qualquer ponto alto ou numa de suas árvores prediletas, dizemos, para agradá-la Atioro bale sege sege ([saúdo] Atioro que pousa elegantemente) e assim uma série de procedimentos diante de um dos donos do firmamento à noite. Mesmo agradando-a não se pode descuidar, porque ela é fatal, mesmo em se lhe felicitando temos que nos precaver. Se nos referimos a ela ou falamos em seu nome durante o dia, até antes do sol se pôr, fazemos um X no chão, com o dedo indicador, atitude tomada diante de tudo que representa perigo. Se durante à noite corremos a mão espalmada, à altura da cabeça, de um lado para o outro, afim de evitar que ela pouse, o que significará a morte. Enfim, há uma infinidade de maneiras de proceder em tais circunstâncias.

Ao público e ao povo do Candomblé

Reportagem: Vander Prata -

Iyalorixás assumem a crença como uma religião independente da católica

Daqui para frente, os filhos de gente de Santo não vão mais aprender sua tradição dos Orixás em sincretismo com a religião católica. As iyas e babalorixás da Bahia não querem, também, permitir mais que sua religião seja tratada como folclore, seita, animismo ou religião primitiva, "como sempre vem ocorrendo neste pais, nesta cidade". Querem também dar um basta à utilização de seus trajes, e rituais, em concursos oficiais ou de propaganda turística.

Esta posição assumida por algumas das mais respeitadas mães de Salvador - Stella de Oxossi, Mãe Menininha do Gantois, Tete de Yansã, Olga do Alaketo e Nicinha do Bogum - deverá repercutir intensamente na comunidade local, uma cidade que cresceu vendo o culto de candomblé sendo sincretizado com o catolicismo. "Já imaginaram o Senhor do Bomfim sem Oxalá?" Serena, Mãe Stella de Oxossi, - uma das mais respeitadas ialorixás da Bahia, sempre avessa a publicidades e a imprensa, falou com exclusividade ao Jornal da Bahia, explicando:

- Os Santos e imagens católicos têm seus valores. Nós não estamos a fim de deixar de acreditar, por exemplo, em Santa Bárbara. Um espírito elevado, sem dúvida. Mas sabemos que Iansã é uma outra energia, não é Sta. Bárbara. Religião não se impõe, depende da consciência de cada um. Mas queremos respeito com o Candomblé. Não tem nada a ver, por exemplo, arriar-se comida de Iansã nos pés da imagem de Sta. Bárbara. Não tem sentido. A comida é de Iansã, é outra energia, completamente diferente do que é Sta. Bárbara, entende?

Pensamento Livre

Mãe Stella participou ativamente da recente Conferência Mundial da Tradição dos Orixás. Ela não tem dúvida de que esta atitude deverá ter ressonância entre a população. Sobre o que a Igreja Católica vai dizer? Ela responde: "O Pai de Santo que tiver coerência com seus princípios não vai mais sincretizar, mas vai passar para seus filhos os nossos conhecimentos. Quanto ao que pode dizer a Igreja, o culto, o pensamento é livre. Respeito muito D. Avelar, mas cada um deve ter sua consciência. Essa coisa de mandar na consciência das pessoas, neste fim de século, não é mais possível". E diz mais: "Também não estamos forçando todo mundo a acreditar no Candomblé". Para concluir:

- O Candomblé não é incompatível com a religião Católica. Mas é vice-versa. Aí, fica com cada pessoa e sua consciência, de dizer que é de Ogum, o que não quer dizer que acabe sua fé em Santo Antônio. Apenas, como disse, são energias diferentes. Vice-versa.

Mãe Stella tem plena sabedoria do que ocorre com os ritos/magias da crença nos Orixás. Salvador é considerado polo turístico pelo governo. E o Candomblé sua mais forte expressão popular. O que pode acontecer, por exemplo, com o carnaval da Bahia? Ela discorda profundamente da utilização de trajes-símbolos sagrados.

- Sair vestido de santo ou usando símbolos é pura falta de respeito, uma profanação com nossa religião.

Como ficam as saídas para as ruas do Filhos de Gandhy ou mesmo da versão mais moderna do Afoxé, o Badauê? Mãe Stella não entra no mérito ("são afoxés, alegria do carnaval") mas, absolutamente não concorda com a "profanação dos Orixás". Profanar, aqui, significa levar para fora do terreiro preceitos e segredos do culto.

- Não há porque ficar enganando. Precisamos ser respeitados como religião e não como faz a imprensa, por exemplo, daqui de Salvador, que inclui nossas casas de culto nas colunas de folclore.

- Já passamos do tempo de ter que esconder nossa religião. Nossos antepassados, para não serem massacrados foram levados ao sincretismo. É isto que queremos parar de fazer.

Outro aspecto da conversa com Mãe Stella: os artistas, os estudiosos, enfim, a crescente aproximação da intelectualidade para beber na fonte e depois utilizar o aprendizado, seja nas artes ou nas teses acadêmicas, sem nada reverter para o Candomblé. Ela responde: "Os sabidos que andam pelos Candomblés não estão agindo certo. Não sou contra um pintor pintar Xango, mas quando ele começa a utilizar-se disso para ganhar muito dinheiro, para profanar, está errado. Isto tende a desaparecer, com o crescimento de nossa consciência dentro de nossas casas".

Durante a II Conferência Mundial da Tradição dos Orixás, Mãe Stella propôs ação concreta: o ensino da língua yorubá e o ensino da tradição dos Orixás, "e não somente da religião católica pois se você perguntar para a criança de que religião ele é, vai dizer "católica" e na verdade é filha de gente de Santo, mas ela tem medo, ensinaram errado para ela".

Como seria a concretização de sua idéia? Mãe Stella espera que "as autoridades tomem as providências para satisfazer o desejo de toda uma Comunidade". O que compete às Iyas e Babalorixás, eles já deram a partida. Esta vigorosa carta divulgada ontem traz no seu âmago um grito de liberdade: Ma beru, Olorum wa pelu awon omorisa. Em outras palavras, quer dizer: "Não tenha medo, Deus está com todos os Filhos de Orixá".

Daqui para a frente, os filhos de gente de Santo rompem, decididamente, com quase cinco séculos de silêncio, imposto desde a chegada das masmorras e dos pelourinhos, para fazer uma só voz com Mãe Stella:

- Já passamos do tempo de ter de esconder nossa religião.


Cartas abertas ao público:


Ao público e ao povo do Candomblé

As Iyas e Babalorixás da Bahia, coerentes com as posições assumidas na II Conferência Mundial da Tradição dos Orixá e Cultura, realizada durante o período de 17 a 23 de Julho de 1983, nesta cidade, tornam público que depois disso ficou claro ser nossa crença uma religião e não uma seita sincretizada.

Não podemos pensar, nem deixar que nos pensem como folclore, seita animismo, religião primitiva como sempre vem ocorrendo neste pais, nesta cidade, seja por parte de opositores, detratores: muros pichados, artigos escritos - "Candomblé é coisa do Diabo", "Práticas africanas primitivas ou sincréticas", seja pelos trajes rituais utilizados em concursos oficiais e símbolos litúrgicos consumidos na confecção de propaganda turística e ainda nossas casas de culto, nossos templos, incluidos, indicados, na coluna do folclore dos jornais baianos.

Ma beru, Olorum wa pelu awon omorisa
Salvador, 27 de Julho de 1983

Assinaram:
- Menininha do Gantois, Iyalorixá do Axé Ilé Iya Omin Iyamassé
- Stella de Oxossi, Iyalorixá do Ilé Axé Opô Afonjá
- Tete de Iansã, Iyalorixá do Ilé Nassô Oká
- Olga de Alaketo, Iyalorixá do Ilé Maroia Lage
- Nicinha do Bogum, Iyalorixá do Xogodô Bogum Malê Ki-Rundo

CULTURA AFRICANA - PALAVRAS EM YORUBÁ

Ibà = Abençoar
Ibaka = Camelo
Ibanuje = Tristeza
Ibere = Princípio, início
Ibi = Onde
Ida = Espada
Ida oba = Espada do rei
Ida orisa = Espada do orisá
Ida keji = Duas espadas
Idajo = Juízo
Ideruba = Fantasma
Igbá = Cabaça
Igba = Tempo
Igba tingbo = Futuro
Igi = Árvore
Igunese = Perna
Iho ile = Sepultura
Ijo = Dança
Ijogbon = Problema
Ikolù = Atacar
Ile = Casa
Ile aiye = Terra
Ilera = Saúde
Imele = Preguiça
Imole = Claro
Iná = Fogo
Iresi = Arroz
Iwo = Você
Ifòn = Espinho
Iyá = Mãe
Iyo = Sal
Ìtò = Urina
Ìsìn = Religião
Ìran = Família
Ipá = Força
Imú = Nariz
Ire = Benção
Ilá = Quiabo
Ìfé = Amor
Ìgè = Nome

J


Jà = Arrancar, descobrir
Já = Brigar
Jalè = Roubar
Jánà = Entrar no caminho
Járó = Descobrir a mentira
Jáwé = Arrancar folha
Jéwó = Falar verdade
Jiyàn = Discutir
Jo = Aparecer
Jò = Peneira
Jù = Jogar fora
Jeki = Deixar
Ji = Acordar

K


Ká = Recolher, dobrar
Kan = Azedo
Kaba = Vestido de mulher
Kì = Grosso
Korò = Amargo
Kòtò = Buraco
Ko = Escrever
Kangaru = Canguru
Karoti = Cenoura
Kawe = Ler
Ké = Gritar
Kia = Rápido
Ko daju = Dúvida
Keremo – keremo = Grandão

L



Lã = Lamber
Labalãbã = Borboleta
Lãbé = Embaixo
Là = Abrir
Làálàá = Esforço
Leba = Perto
Lewa = Formosa
Lona = Ontem
Lu = Furar
Lorun = No céu
Lù = Golpe

M


Mótò = Automóvel
Mùlo = Levar embora
Mu = Fumar
Mù = Beber, tomar
Mo juba = Abençoar
Mo = Saber
Mãlu = Boi
Mãlu oran = Mula
Omo – mãlu = Filhote de boi, bezerro
Mu omi = Tomar água
Mu otí = Tomar bebida

N


Nã = Gastar
Nã ojà = Negociar, pechinchar
Níbí = Aqui
Nísisíyí = Agora
Nkan = Coisa
Nlã = Grande
Nu = Sumir
Ngbe = Morando
New = Nadando
Njeun = Comendo
Nri = Vendo
Nsun = Dormindo
Nto = Urinando

O


Òbí = Parente
Obí = Fêmea
Òbò = Vagina
Ode = Fora
Odindi = Completo
Odó = Rio
Òdódõ = Flor
Ofò = A perda
Òfõfõ = Fofoca
Ògún = Orixá Ogun
Òógùn = Suor
Òjò = Chuva
Òmorãn = Gigante
Olúwa = Deus
Olõwõ = Rico
Òkõbõ = Impotente
Òkú = Cadáver
Okõ = Pênis

Oko = Sítio, fazenda
Ori = Acaçá
Osù = Mês
Oloyin = Tangerina
Oluko = Professor
Omi = Água
Omi tutu = Água fria
Omi orisá = Água de santo
Omi gbigbona = Água quente
Omi yin yin = Água gelada
Omi dudu = Café
Omije = Lágrima
Onisegun = Médico
Onidaru = Feroz
Õre = Tatu
Õran = Sol
Orombo = Limão
Orombo nla = Laranja
Oru = Calor
Obe farin = Navalha
Obo = Macaco

P


Pa = Matar
Pé = Demorar
Pín = Dividir
Pãtã = Cueca, calcinha
Pè = Chamar
Pãtãpãtã = Completamente
Pòjù = É demais
Paru = Panela
Pepeiye = Pato
Patewo = Aplaudir
Põn = Sujo
Panu no = Calar a boca

R


Rà = Apodrecer
Rè = Cansar
Repete = Muito bastante
Rèpetè = Muito gordo
Rerin = Rir
Ribiti = Redonda
Ro = Doer
Ranti = Lembrar
Rara = Libertar
Rélo = Seduzir
Résèsélè = Humilhação

S


Sã = Fugir
Sanra = Engordar
Sé = Peneira
Sise = Trabalho
Sè = Ofender
Séwó = Trocar dinheiro
So = Amarrar
Só = Empurrar
So nu = Perder
Soro = Falhar
Sunmo = Perto
Saalare = Título conferido ao Orisá Nanã
Sábe = Debaixo
Sèri = Cair orvalho
Sígbonlè = Alto e forte
Sísin = Enterro
Súfe = Assobiar
Súfe = Mover
Sùrù = Paciência
Sàjé = Praticar bruxaria
Soge = Ser vaidoso
Sófo = Vazio
Sòpe, Yòpe = Ignorante

T


Tà = Vender
Tótó = Atenção
Tó = Suficiente
Tife-tife = Amizade
Tuwa = Nosso
Tete = Aplicado
Tunù = Enxaqueca
Tún = Retorno
Toun = Aquele
Tú = Desamarrar
Tù = Desenterrar, arrancar com raiz
Tahín = Palitar os dentes
Tafàtafà = Arqueiro
Tàka = Estalar o dedo
Tapã = Arrancar à força
Tìsõra = Tesoura
Tewure = Facilmente
Títi-Aiye = Eternamente

W


Wã = Vir
Wàrà = Leite, queijo
Wéré = De repente
Wúrà = Ouro
Wara Omu = Leite materno
Wéjo = Reclamar
Wéfun = Dizer
Wèleki = Peludo, robusto
Wékú = Exatamente, fielmente
Walè = Cavar o chão
Wúsìn = Serviçal
Wúwo = Pesado
Woso = Vestir-se

Y


Yá = Emprestar
Ya = Rasgar
= Desenhar
Yãn = Espreguiçar
Yewò = Examinar
Yeré = Brinco
Yépada = Transformar
Yò = Escorregar
Yín = Elogiar
Yèyé = Mãe, senhora
Yiá = Mãe, senhora
Yaya = Plenamente
Yanrin = Areia
Yíyege = Fracasso
Yún = Grávida